NOTÍCIA : Propostas SBCO

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09 Dez Propostas SBCO




O aumento expressivo dos casos de câncer em todo o mundo nas últimas décadas não indica, infelizmente, qualquer sinal de regressão – ao contrário, a OMS prevê, nos próximos dez a quinze anos, uma verdadeira explosão dos casos da doença. Neste cenário, o Brasil tem que estar preparado para dirimir o sofrimento de sua população, acentuada pelo aumento da expectativa de vida e o consequente crescimento da população idosa. Como doença de fragrante incidência acima dos 50 anos, veremos nos próximos anos um número cada vez maior de pessoas com o diagnóstico de câncer no país, advertindo-se que a cirurgia se torna necessária em ao menos 80% destes pacientes.


Por isso o diagnóstico precoce e o acesso a uma estrutura multidisciplinar com a cirurgia de qualidade aplicada no momento ideal são a chave para a cura da doença. Com técnicas cada vez menos agressivas, a cirurgia deve ser prioridade no investimento público em busca de solução para as centenas de milhares de brasileiros que a cada ano recebem o diagnóstico. Entretanto, dados TCU apontam que apenas 35% das cirurgias por câncer ocorreram em hospitais especializados, trazendo maiores custos ao sistema e sequelas aos pacientes – estudo recente demonstrou que apenas uma em cada quatro pessoas com câncer tem acesso à cirurgia no tempo adequado, com qualidade e bons resultados (Sullivan R, et al. Lancet Oncol 2015; 16: 1193–224).


No Brasil, o investimento no tratamento do câncer destina, à crescente demanda cirúrgica, apenas 10% do valor gasto em oncologia – uma discrepância entre o investimento necessário e o real para se ter um resultado digno a todos os brasileiros. Um novo olhar para o planejamento público do tratamento cirúrgico do câncer e do investimento em recursos humanos, formação e acesso são necessários.


Neste contexto, visando a otimização de recursos e garantindo a capacidade de atendimento às necessidades da população, sugerimos 10 ações fundamentais de educação, prevenção, capacitação de especialistas, avaliação de qualidade e a interação entre as lideranças em oncologia junto ao Ministério da Saúde e entidades de representação médica, no planejamento multidisciplinar do paciente com câncer no país.