Tipos de Câncer

Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma.

 

Outras características que tornam diferentes os diversos tipos de câncer são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases).

 

  TIPOS DE CÂNCER MAIS COMUNS:

É o câncer que afeta lábios e o interior da cavidade bucal. Dentro da boca devem ser observados gengivas, mucosa jugal (bochechas) palato duro (céu da boca), língua (principalmente as bordas) e assoalho (região embaixo da língua). O câncer do lábio é mais comum em pessoas brancas e ocorre mais frequentemente no lábio inferior. O dentista pode ser a primeira pessoa a visualizar estas lesões, que podem ser precursoras de um câncer, uma lesão pré-cancerosa denominada displasia, ou uma lesão relativamente inofensiva.

 

A displasia pode ser classificada como leve, moderada ou grave. Conhecer o grau da displasia ajuda a prever a probabilidade dela progredir para um câncer ou desaparecer após o tratamento. Por exemplo, a displasia grave tem maior probabilidade de se tornar um câncer, enquanto displasia leve tem maior probabilidade de desaparecer completamente.

 

As causas mais frequentes de câncer na cavidade oral são fumar e mascar tabaco. Dentaduras mal ajustadas que irritam a língua ou a parte interna das bochechas também podem causar lesões pré-cancerosas. Estudos mostram que indivíduos tabagistas e etilistas correm risco maior de desenvolver esse câncer do que a população em geral. O risco aumenta de acordo com o tempo que a pessoa fuma, com o número de cigarros fumados por dia e com a frequência de ingestão de bebidas alcoólicas.

O câncer colorretal abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. É tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, que são lesões benignas, que podem crescer na parede interna do intestino grosso. Uma maneira de prevenir o aparecimento dos tumores seria a identificação e a remoção dos pólipos antes de eles tornarem-se malignos.

 

Para o câncer de cólon e reto, os fatores protetores mais importantes são a atividade física e o consumo de alimentos que contêm fibra dietética, ou seja, aqueles de origem vegetal, tais como: frutas, hortaliças (legumes e verduras) e cereais integrais. Por outro lado, são fatores de risco para esse tipo de câncer: carne vermelha, carnes processadas (como mortadelas, presuntos, salsichas, linguiças), bebidas alcoólicas, tabagismo, gordura corporal e abdominal. Outros fatores de risco são a história familiar de câncer colorretal, a predisposição genética ao desenvolvimento de doenças crônicas do intestino e a idade, pois tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam com a idade. Apesar disso, a maioria dos cânceres de cólon e reto (cerca de 75%) se dá de forma esporádica, surgindo de mutações somáticas e evolução do clone celular tumoral.

O colo do útero é a porção do útero que está conectada à vagina, e que é visível durante o exame ginecológico realizado no consultório. Outros termos relacionados ao colo do útero incluem: cérvix, cérvice e colpo.

 

O câncer de colo do útero, também chamado de cervical, é causado pela infecção persistente de alguns Papilomavírus Humano –  HPV. Existem mais de 100 tipos diferentes de vírus do HPV. Alguns tipos são considerados de alto risco para produzir alterações precursoras do câncer do colo, enquanto outros são considerados de baixo risco, podendo causar lesões do tipo verrugas genitais.

 

O vírus do HPV é transmitido via sexual e, na maioria das vezes, sua infecção é autolimitada, ou seja, o próprio organismo acaba eliminando o vírus. Em alguns casos, principalmente em mulheres que fumam ou que possuem outras doenças que comprometem a imunidade, o vírus pode persistir e causar alterações locais. Estas alterações são como manchas que não causam sintomas, mas que podem ser detectadas no exame preventivo (conhecido também como Papanicolaou ou colpocitológico) ou com a coleta de material do colo do útero com escovinha, para tipagem de HPV. São as chamadas lesões precursoras do câncer, que incluem o carcinoma in situ e as lesões intraepiteliais de alto grau. Estas lesões não são câncer, mas podem evoluir para câncer ao longo de alguns anos se não forem adequadamente tratadas. O tratamento das lesões precursoras é muito simples e geralmente inclui a remoção cirúrgica da alteração causada pelo vírus do HPV de alto risco. Toda a alteração deve ser encaminhada para análise, para confirmar se o caso é mesmo de lesão precursora.

 

É o terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. A detecção precoce desse tipo de câncer avançou muito no país: na década de 1990, 70% dos casos diagnosticados eram da doença invasiva, o estágio mais agressivo. Hoje em dia, 44% dos casos são de lesão que antecede o câncer, chamada in situ ou NIC III. Quando a lesão é chamada de in situ ou NIC III significa que o câncer é inicial e que as células cancerosas não invadiram tecidos, nesta fase é que se obtém as melhores chances de cura.

O câncer de esôfago afeta mais de 450 mil pessoas no mundo a cada ano. Em termos de incidência, é três a quatro vezes mais comum em homens do que em mulheres.

 

O câncer do esôfago se inicia na mucosa e se estende para a submucosa e para a camada muscular. Existem dois tipos principais de câncer de esôfago: carcinoma de células escamosas e adenocarcinoma. O primeiro tipo é o mais comum, aproximadamente 90% dos casos, e ocorre mais frequentemente em homens a partir dos 50 anos.

 

Os fatores de risco relacionados ao carcinoma de células escamosas são idade, história familiar e fatores externos, como álcool, fumo (fumado, mascado ou aspirado), infecções orais por fungos, agentes infecciosos (por exemplo, HPV), deficiência de riboflavina, excesso do uso de vitamina A, contaminação de produtos alimentícios por micotoxinas fumonisinas e ingestão excessiva de erva-mate em temperaturas elevadas, muito comum no sul do Brasil, na Argentina e no Uruguai.

 

Alguns fatores de proteção, como o uso de aspirina e de outros anti-inflamatórios não esteroidais, bem como a alta ingestão de frutas frescas e vegetais, especialmente se consumidos crus, e de antioxidantes estão associados à diminuição do risco dos dois tipos de câncer de esôfago.

Mais de 70% dos casos de câncer de estômago ocorrem em países em desenvolvimento e a taxa de incidência é aproximadamente duas vezes mais alta no sexo masculino do que no feminino.

 

Apesar de ser a segunda causa de morte por câncer no mundo em ambos os sexos, há tendência de queda na maioria dos países. Parte da explicação para esse declínio deve-se a fatores relacionados ao aumento do uso de refrigeradores para uma melhor conservação alimentar, o que permitiu maior disponibilidade e consumo de alimentos frescos, como frutas e hortaliças (legumes e verduras), e reduziu a necessidade do uso de sal, particularmente na conservação de alimentos. Evidências reportam que frutas, legumes e verduras são fatores de proteção contra o câncer gástrico. Por outro lado, a alta ingestão de sal, por meio de adição ou de alimentos nele conservados, é provável fator de risco desse tipo de câncer. Estratégias para prevenção do câncer de estômago incluem melhorias no saneamento básico e mudanças no estilo de vida da população.

 

Algumas doenças pré-existentes podem ter forte associação com esse tipo de tumor, como anemia perniciosa, lesões pré-cancerosas (como gastrite atrófica e metaplasia intestinal), e infecções pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori). A H. pylori está presente nos alimentos e na água potável e é considerada a segunda bactéria mais frequente no corpo humano (a primeira é a cárie). Estima-se que ela habite o estômago de cerca de 70% da população no Brasil, porém somente indivíduos predispostos geneticamente, ou seja, que tenham nascido com um receptor no estômago capaz de hospedar a bactéria, são afetados. Ela causa gastrite crônica, que, sem tratamento, evolui para gastrite atrófica e atrofia gástrica. Essa lesão pré-cancerosa, no entanto, leva aproximadamente 20 anos para evoluir e se tornar um câncer.

 

Fumantes que ingerem bebidas alcoólicas ou que já tenham sido submetidos a operações no estômago têm maior probabilidade de desenvolver esse câncer, assim como pessoas com parentes que foram diagnosticados com câncer de estômago.

Os tumores malignos de fígado são divididos em dois tipos: câncer primário (que tem sua origem no próprio órgão) e secundário ou metastático (que é originado em outro órgão e que atinge também o fígado), que são a maioria.

 

Dos tumores originados no fígado, o mais frequente é o hepatocarcinoma ou carcinoma hepatocelular. Ocorre em mais de 80% dos casos e é muito agressivo. Outros tipos de câncer primário de fígado são o colangiocarcinoma (originado nos dutos biliares do fígado), o angiossarcoma (câncer raro que se origina nos vasos sanguíneos do órgão) e o hepatoblastoma, tumor maligno raro que atinge recém-nascidos e crianças nos primeiros anos de vida.

 

O câncer de fígado geralmente não apresenta sinais e sintomas nos estágios iniciais da doença. Alguns sinais e sintomas do câncer de fígado podem incluir: perda de peso, falta de apetite, sensação de plenitude na parte superior do abdômen, após uma refeição leve, nauseas, vômitos, fígado e baço aumentados, dor abdominal, com inchaço ou acúmulo de líquido no abdomen, icterícia (pele e mucosas amareladas), veias da barriga dilatadas e visíveis através da pele e agravamento da hepatite crônica ou cirrose.

 

Estes sintomas também estão relacionados a outras doenças, não são necessariamente sinais e sintomas exclusivos do câncer de fígado. Entretando, se houver a ocorrência de qualquer um desses sintomas, é importante consultar um médico para o diagnóstico preciso e o início do tratamento, caso necessário.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres em todo o mundo (após o câncer de pele não melanoma). Ele representa 25% de todos os tipos de câncer diagnosticados nas mulheres. Nos últimos 40 anos, a sobrevida vem aumentando nos países desenvolvidos e permanece estável nos países em desenvolvimento, mas ainda é a maior causa de morte por câncer nas mulheres em todo o mundo.

 

No Brasil, conforme dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) o câncer de mama também é o mais comum entre as mulheres. Para 2015 são estimados cerca de 57.000 casos novos de câncer de mama.

 

É também a principal causa de morte por câncer entre as mulheres em nosso meio:

1º – Câncer de mama – 15,7% do total de óbitos por câncer

2º – Câncer de pulmão – 9,8% do total de óbitos por câncer

3º – Câncer de cólon e reto – 8,4% do total de óbitos por câncer

4º – Câncer de colo de útero – 6,6% do total de óbitos por câncer

 

Desta forma, podemos perceber que o câncer de mama representa a principal doença oncológica entre as mulheres em nosso país.

 

O câncer de mama é o crescimento descontrolado de células da mama que adquiriram características anormais. Se desenvolvem nas unidades ductolobulares da mama (região que forma e conduz o leite até o mamilo), e são causadas por uma ou mais mutações no material genético da célula.

 

O câncer de mama, além de ser classificado em diversos tipos, com características e graus de gravidade diferentes, deve sempre ser estadiado, isto é, passar por uma avaliação que identifique sua extensão e disseminação. Esse processo determina se a doença é localizada (precoce), localmente avançada (tumor grande e com gânglios comprometidos) ou metastática (espalhada para outros órgãos).

 

A doença ocorre quase que exclusivamente em mulheres, mas os homens também podem ter câncer de mama.

 

Alguns fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama são bem conhecidos, como: envelhecimento, fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher, história familiar de câncer de mama, consumo de álcool, excesso de peso, falta de exercícios físicos regulares, exposição à radiação ionizante e alta densidade do tecido mamário (razão entre o tecido glandular e o tecido adiposo da mama).

 

A idade é um dos principais fatores de risco. As taxas de incidência aumentam rapidamente após os 50 anos. Antes dessa idade, o número de casos é menor, o que mostra uma relação com os hormônios femininos. Cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos.

 

Apesar de ser considerado um câncer de relativamente bom prognóstico, quando é diagnosticado e tratado oportunamente, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas no Brasil (conforme demonstrado acima), muito provavelmente porque a doença só é diagnosticada quando já está muito avançada.

Os ovários estão localizados no ventre, conectados ao útero através de estruturas delicadas chamadas trompas ou tubas uterinas. Servem para a produção dos hormônios femininos durante os ciclos regulares menstruais, e para fornecer óvulos para possíveis gestações.

 

Por estar anexo ao útero, porém não visível ao exame físico e relativamente livre para se mover no ventre, o ovário pode sofrer aumentos consideráveis sem que a mulher sinta dor ou desconforto. A grande maioria das alterações que surgem nos ovários acontecem durante os ciclos regulares e não oferecem risco à saúde feminina. Algumas dessas alterações, principalmente os cistos (contendo líquido, fluido, ou sangue), podem ser tratados adequadamente com medicamentos.

 

O câncer do ovário é uma doença rara, que geralmente está relacionada à predisposição pessoal para a doença.

 

Existem cânceres de ovário que surgem em mulheres mais jovens, chamados tumores germinativos. Nestes casos, o tratamento principal inclui quimioterapia, e em muitas vezes é possível preservar a fertilidade da mulher, sem que haja prejuízos.

 

Mas os tipos de câncer de ovário mais frequentes são os chamados epiteliais, que acontecem geralmente após a menopausa. O uso de anticoncepcionais e o fato de a mulher já ter sido gestante podem ser fatores protetores desses tumores. Algumas das mulheres com câncer de ovário têm história familiar de câncer de mama ou ovariano. As mulheres que tiveram câncer de mama e possuem mutações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2 apresentam maior risco para desenvolver câncer de ovário. Outra condição genética de risco é a síndrome de Lynch, ou do câncer de cólon hereditário não polipoide.

Os tumores de pâncreas mais comuns são do tipo adenocarcinoma (que se origina no tecido glandular). Esse tipo corresponde a grande maioria dos casos diagnosticados. A maioria dos tumores afeta o lado direito do órgão (a cabeça). As outras partes do pâncreas são corpo (centro) e cauda (lado esquerdo).

 

Há dois tipos de células (exócrinas e as endócrinas) do pâncreas que formam tipos completamente diferentes de tumores:

 

Tumores Exócrinos – os tumores exócrinos são o tipo mais comum de câncer de pancreas e a maioria é maligna. Aproximadamente 95% dos casos desse tipo de câncer são adenocarcinomas que normalmente começam nos ductos do pâncreas, mas às vezes se desenvolvem a partir das células que produzem as enzimas pancreáticas. Outro tipo de câncer é o carcinoma da ampola de Vater, que se origina nesta região. Esse câncer frequentemente bloqueia o ducto biliar, provocando icterícia (pele e olhos amarelados).

 

Tumores Endócrinos – os tumores de pâncreas endócrinos não são muito comuns. Eles são conhecidos como tumores neuroendócrinos do pâncreas, ou às vezes como tumores de células das ilhotas. Cerca de metade dos tumores neuroendócrinos do pâncreas produzem hormônios que são liberados na corrente sanguínea e por isso são denominados tumores funcionais. Os tumores de células das ilhotas podem ser benignos ou malignos. Os benignos são chamados de tumores neuroendócrinos do pâncreas, enquanto os malignos são denominados de carcinomas neuroendócrinos. Os cânceres pancreáticos neuroendócrinos representam menos do que 4% de todos os cânceres de pancreas e seu prognóstico e tratamento dependem do tipo de tumor e do estadiamento.

 

O câncer de pâncreas é um tipo raro de ocorrer antes dos 30 anos, mas torna-se mais comum a partir dos 60 anos. Segundo a União Internacional Contra o Câncer (UICC), os casos da doença aumentam com o avanço da idade: de 10/100.000 habitantes entre 40 e 50 anos para 116/100.000 habitantes entre 80 e 85 anos. A incidência é mais significativa em homens. É um cancer de difícil detecção, apresentando alta taxa de mortalidade por conta do diagnóstico tardio e de seu comportamento agressivo. No Brasil, é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por essa doença.

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático). Também acometem crianças e adolescentes o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).

 

Como apresenta características próprias, o câncer que acomete crianças e adolescentes é estudado separadamente daqueles que acometem os adultos, principalmente no que diz respeito ao comportamento clínico. Esses cânceres têm, na sua maioria, curtos períodos de latência, são mais agressivos, crescem rapidamente, porém respondem melhor ao tratamento e são considerados de bom prognóstico.

 

Assim como em países desenvolvidos, no Brasil o câncer já representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, para todas as regiões.

 

Nos últimos 40 anos, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Hoje, em torno de 70% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado.

 

A manifestação clínica dos tumores infantojuvenis pode não diferir muito de doenças benignas (sem maior gravidade) comuns nessa faixa etária. Muitas vezes, a criança ou o jovem está em razoáveis condições de saúde no início da doença. Por esse motivo, o conhecimento do médico sobre a possibilidade da doença é fundamental.

 

Conheça algumas formas de apresentação dos tumores da infância:

  • Nas leucemias, como há invasão da medula óssea por células anormais, a criança se torna mais sujeita a infecções, pode ficar pálida, ter sangramentos e sentir dores ósseas.
  • No retinoblastoma, um sinal importante é o chamado “reflexo do olho do gato”, embranquecimento da pupila quando exposta à luz. Pode apresentar, também, fotofobia (sensibilidade exagerada à luz) ou estrabismo (olhar vesgo). Geralmente acomete crianças antes dos 3 anos. Atualmente, a pesquisa desse reflexo pode ser feita já em recém-nascidos.
  • Aumento do volume ou surgimento de massa no abdômen pode ser sintoma de tumor de Wilms (que afeta os rins) ou neuroblastoma.
  • Tumores sólidos podem se manifestar pela formação de massa, visível ou não, e causar dor nos membros. Esse sintoma é frequente, por exemplo, no osteossarcoma (tumor no osso em crescimento), comum em adolescentes.
  • Tumor de sistema nervoso central tem como sintomas dores de cabeça, vômitos, alterações motoras, alterações de comportamento e paralisia de nervos.

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum e representa mais da metade dos diagnósticos de câncer. Costuma apresentar-se sob duas principais formas: melanoma e não melanoma. A exposição excessiva ao sol é o principal fator de risco para o surgimento dos cânceres de pele.

 

Melanoma: é o tipo de câncer de pele que tem origem nos melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele) e tem predominância em adultos brancos. Embora o câncer de pele seja o mais frequente no Brasil e corresponda a 25% de todos os tumores malignos registrados no País, o tipo melanoma representa apenas 4% das neoplasias malignas do órgão, apesar de ser o mais grave devido à sua alta possibilidade de metástase.

 

O prognóstico desse tipo de câncer pode ser considerado bom, se detectado nos estágios iniciais. Nos últimos anos, houve uma grande melhora na sobrevida dos pacientes com melanoma, principalmente devido ao diagnóstico precoce do tumor.

 

Não melanoma: é o câncer mais frequente no Brasil e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país. Apresenta altos percentuais de cura, se for detectado precocemente. Entre os tumores de pele, o tipo não-melanoma é o de maior incidência e mais baixa mortalidade.

 

O câncer de pele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos, sendo relativamente raro em crianças e negros, com exceção daqueles já portadores de doenças cutâneas anteriores. Pessoas de pele clara, sensível à ação dos raios solares, ou com doenças cutâneas prévias são as principais vítimas.

 

Como a pele – maior órgão do corpo humano – é heterogênea, o câncer de pele não melanoma pode apresentar tumores de diferentes linhagens. Os mais frequentes são carcinoma basocelular, responsável por 70% dos diagnósticos e o menos agressivo, e o carcinoma epidermoide, representando 25% dos casos.

A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão muito pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto. A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.

 

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (o primeiro é câncer de pele não melanoma). O único fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento do câncer de próstata é a idade. Aproximadamente 62% dos casos diagnosticados no mundo ocorrem em homens com 65 anos ou mais. Além disso, a etnia e a história familiar da doença também são consideradas fatores de risco.

 

Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos. A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ ) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.

 

Outro fator importante no estudo das causas desse tipo de câncer é a alimentação. Dietas com base em gordura animal, carne vermelha, embutidos e cálcio têm sido associadas ao aumento no risco de desenvolver câncer de próstata. Além disso, a obesidade também é apontada no aumento do risco de desenvolver essa neoplasia, em especial para aquelas de comportamento mais agressivo. Em contrapartida, é possível que uma alimentação rica em vegetais, vitaminas D e E, licopeno e ômega-3 seja capaz de conferir alguma proteção contra o câncer de próstata.

O câncer de pulmão era considerado uma doença rara até o início do século passado. Desde então, sua ocorrência aumentou rapidamente, e tornou-se frequente na população mundial e a causa mais importante de morte por câncer no mundo. A grande ocorrência dessa neoplasia evidencia a exposição ao tabagismo no passado recente. Na maioria das populações, mais de 80% dos casos de câncer de pulmão são causados pelo hábito de fumar. Em geral, as taxas de incidência, em um determinado país, refletem seu consumo de cigarros. Os usuários de tabaco têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão do que os não fumantes. Com relação ao gênero, os homens apresentam maiores taxas de incidência do que as mulheres.

 

Outros fatores de risco conhecidos incluem exposição a carcinógenos ocupacionais (no trabalho) e ambientais, como amianto, arsênico, radônio e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Em países industrializados, estima-se que de 5% a 10% dos casos de câncer de pulmão sejam atribuídos a esse tipo de exposição. Além disso, repetidas infecções pulmonares, história de tuberculose e deficiência ou excesso de vitamina A também são considerados fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão.

 

Esse tipo de câncer é geralmente detectado em estágios avançados, uma vez que a sintomatologia nos estágios iniciais da doença não é comum. Com isso, permanece como uma doença altamente letal. Ao final do século XX, o câncer de pulmão tornou-se uma das principais causas de morte evitável.

No mundo todo, o câncer do SNC (Sistema Nervoso Central) representa 1,9% de todas as neoplasias malignas. A maioria dos tumores do SNC origina-se do cérebro, dos nervos cranianos e das meninges.

 

Existem quase 100 tipos de tumores cerebrais, que geralmente recebem o nome do tipo da célula da qual se desenvolve. A maioria dos tumores no cérebro origina-se nas células gliais, que sustentam as células nervosas do órgão. Um tumor de células gliais é denominado glioma. Os gliomas são o tipo mais frequente e representam cerca de 40% a 60% de todos os tumores primários do SNC, com ocorrência mais comum na faixa etária adulta. Outros tipos de câncer do SNC são os meningiomas, representando entre 20% e 35% dos casos, e os neurilemomas (de 5% a 10%). Existem ainda tipos mais raros, de menor incidência.

 

Os tumores cerebrais são classificados em grupos e de acordo com a rapidez com que se desenvolvem. Como regra geral, o tumor de menor grau é considerado menos agressivo, enquanto o de maior grau é o mais agressivo.

 

A distribuição etária da incidência possui um pico em crianças e outro em adultos acima dos 45 anos. A incidência dos tumores do SNC é ligeiramente mais alta no sexo masculino em comparação com o feminino.

Os dois tipos mais comuns de câncer de tiroide (ou tireoide) são o carcinoma papilífero e o carcinoma folicular. Esses dois tipos de tumores são chamados diferenciados. Outros tipos de câncer de tiroide, como o carcinoma medular da tiroide, carcinoma anaplásico e linfoma da tiroide, ocorrem com menos frequência.

 

Os carcinomas diferenciados da tiroide se desenvolvem a partir das células foliculares da tiroide e as células cancerígenas se parecem muito com o tecido tiroidiano normal, quando vistas sob um microscópio. Alterações no tamanho e forma da glândula tiroide, muitas vezes, podem ser sentidas ou mesmo vistas pelos pacientes ou pelo médico.

 

O termo médico para uma glândula tiroide anormalmente grande é bócio. Alguns bócios são difusos, isso significa que afetam toda a glândula. Outros são bócios nodulares, onde a glândula apresenta uma ou mais saliências. Existem muitas razões para a glândula tiroide ser maior do que o usual e, na maioria das vezes, isso não é câncer. Um desequilíbrio de alguns hormônios pode causar os dois tipos de bócio. Por exemplo, uma dieta pobre em iodo pode causar alterações nos níveis hormonais e levar a um bócio.

 

A maioria dos nódulos da tiroide é benigna, mas cerca de 5% são malignos. Às vezes esses nódulos produzem excesso de hormônio tiroidiano e causam hipertiroidismo.

 

As pessoas podem desenvolver nódulos tiroidianos em qualquer idade, mas eles são mais comuns em adultos. Menos de 10% dos adultos têm nódulos palpáveis na tiroide, mas quando ela é visualizada por um exame de ultrassom, metade da população tem nódulos pequenos, que não são palpáveis.

 

A maioria dos nódulos são cistos preenchidos com líquido ou com uma reserva de secreção. Os nódulos sólidos têm pouco líquido ou coloide (secreção) e são mais susceptíveis de serem cancerígenos. Ainda assim, alguns desses nódulos sólidos não são cânceres. Os nódulos benignos da tiroide não precisam ser tratados, desde que não cresçam ou apresentem qualquer sintoma.